Mulheres ricas e pobres sofrem violência na mesma proporção

Medo. Professora universitária Sandra (nome fictício) se separou do marido, que a ameaçava, mas até hoje, dois anos depois, ele a intimida/ Foto: CRISTIANO TRAD

Jaqueline, 28, vive com medo há dois anos. Agredida e perseguida pelo ex-namorado, ela quase foi assassinada duas vezes. Está desempregada por causa dos problemas emocionais e das idas do agressor aos locais de trabalho. Sandra, 39, sofre um calvário parecido há dois anos. Quase não sai de casa e chora toda vez que relembra a violência psicológica praticada pelo ex-marido.

Em comum, as duas mulheres (nomes fictícios) têm o histórico de violência no lar. O que as separa é o universo social de cada uma. Enquanto a primeira, moradora de um bairro da região Norte de Belo Horizonte, era auxiliar de escritório na época das agressões e ganhava cerca de R$ 600 por mês, a segunda vive na região Oeste da capital, é professora universitária e recebe em torno de R$ 6.000 mensais.

O problema da violência doméstica é “democrático”, resume a cientista política Marlise Matos, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Os conflitos não escolhem classe social, cor, religião ou idade. Mas o sofrimento é o mesmo para qualquer mulher”.

Contrariando o senso comum, a mulher que apanha nem sempre é pobre ou ignorante, assim como seu companheiro.

Segundo pesquisa da Promotoria de Justiça Especializada no Combate à Violência Doméstica de Belo Horizonte, mulheres que recebem cinco salários mínimos ou mais são vítimas na mesma proporção das que têm renda de até dois salários. As ricas respondem por 18% dos casos, enquanto as pobres representam 19,1%.

Das vítimas que ligaram no ano passado para a Central de Atendimento à Mulher, serviço telefônico do governo federal, 59,51% não dependiam financeiramente do agressor.

Subnotificação. A quantidade de vítimas de classe social alta pode ser ainda muito maior do que mostram os levantamentos. Por medo de se expor, prejudicar a família ou comprometer a imagem profissional, a denúncia à polícia é evitada por muitas agredidas que têm bons empregos e escolaridade alta.

“É comum, por exemplo, elas procurarem um advogado para tentarem direto a separação ou irem a clínicas particulares quando são feridas. Muitos casos ficam fora das estatísticas”, diz a titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher da capital, Elizabeth Rocha.

Mudanças
Lei.
 Desde a semana passada, o agressor pode ser processado e julgado pela Lei Maria da Penha mesmo que a mulher não denuncie a violência. Além disso, a vítima não pode mais retirar a queixa contra o acusado.

Drama
“Será que os juízes vão continuar a reconhecer os riscos para a mulher somente diante dos atestados de óbito? É preciso haver mais rigor.”

Sandra
Vítima (Nome fictício)

“É comum a mulher não ter uma submissão financeira. Muitas vezes, a subordinação é emocional.”

Elizabeth Assis Rocha
Delegada de Mulheres

Morte de procuradora aterroriza companheiras de agressores
“Tenho pânico de ser mais uma na estatística”, diz, com a voz embargada, a professora universitária Sandra (nome fictício), 39, que teme ser vítima da truculência do ex-marido, assim como a procuradora federal Ana Alice de Melo, 35.

Assassinada pelo empresário Djalma Brugnara Veloso, 49, no último dia 2, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, Ana Alice tinha curso superior e era bem-sucedida – seu salário superava os R$ 14 mil. Após a tragédia, outras mulheres passaram a pensar com mais frequência na possibilidade de serem mortas.

A advogada Juliana Gontijo, que defendia a procuradora, diz haver “muitas outras ‘Anas Alices’” no Brasil. Em seu escritório, a famosa advogada de direito de família – que revela também ter sido espancada pelo ex-marido, em 2003 – acompanha muitos casos de clientes de famílias tradicionais e ricas. “São engenheiras, psicólogas, dentistas, médicas e advogadas violentadas”, enumera. (JT)

Homens vivem crise de identidade
A violência indiscriminada, que atinge mulheres de diferentes perfis e origens, é fruto de uma crise de identidade masculina, na opinião da subsecretária de Direitos Humanos de Minas Gerais e presidente do Conselho Estadual da Mulher, Carmen Rocha.

“O homem, historicamente, era cabeça do casal, provedor da casa. Mas hoje a maioria das mulheres trabalha, tem múltiplas jornadas e papéis. Muitos homens não aceitam que a dependência econômica feminina e a sociedade patriarcal acabaram”.

Para o advogado Murillo Andrade, um dos defensores da procuradora Ana Alice de Melo, além do fator cultural, o componente emocional é causa da agressividade. “Isso sem falar no uso de álcool e drogas, que potencializa todo esse ódio”. (JT)

About these ads

0 Responses to “Mulheres ricas e pobres sofrem violência na mesma proporção”



  1. Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Blog do PSDB Mulher

Galeria de Fotos

RSS Núcleo Multimídia – Reportagens e vídeos interessantes sobre ações do Governo Aécio Neves

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.

RSS Aécio no Facebook – Participe da comunidade de um dos administradores públicos mais bem preparados do Brasil.

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.

Fotos da Agência Minas

26 Anastasia na China

25 Anastasia China 2

24 Medalha Santos Dumont

Mais fotos

@psdbMG

@governoMG


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: