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“De Cidadã para Cidadã”

 De cidadã para cidadã,
De militante para militante,
De mulher para mulher,

Muitos me conhecem da minha militância partidária na área das mulheres. No meu partido político procuro construir uma ponte amistosa com os movimentos sociais, de mulheres, de feministas. Creio que estamos nos saindo bem quando tentamos mostrar que somente por meio de um partido político podemos nos eleger e ocupar espaços nos parlamentos.

 Elegi, há dez anos, “mulher na política” como o foco central das minhas atenções, ocupando um espaço necessário no meu partido frente aos reclamos da sociedade e acreditando que o mundo político pode melhorar, que a prática política estava esgotada com a maxirrepresentação dos homens nos parlamentos. Ao mesmo tempo, as políticas dos movimentos de mulheres e feministas davam uma guinada para essa temática por ser uma bandeira planetária.Mais mulheres no poder”, “lugar de mulher é na política”, são bordões que passaram a ocupar os meus estudos e meu engajamento, por acreditar serem muito mais do que palavras de ordem, por acreditar que estava passando da hora de termos assegurado nossos lugares nos espaços de decisão institucionais e não institucionais.

 Acredito ainda fortemente que nossa luta é inequívoca, pois dela também depende o fortalecimento da nossa democracia. Trata-se de uma luta por igualdade de direitos, luta pelo combate à cultura patriarcal da qual somos as maiores vítimas e dela depende a libertação e a emancipação das mulheres para banirmos de nossas estatísticas os números assustadores de mortalidade materna e violência doméstica. Da emancipação da mulher depende, em igual medida, entendermos a masculinidade de nossos filhos e de novas gerações, que é possível que seja respeitosa, para nos transformarmos num mundo justo e equitativo.

 Estou indignada, muito indignada! Por isso este meu “grito”. Por isso as palavras não cabem mais na minha boca, estou abafada e também desolada. Por razões de trabalho, só na segunda semana das exibições dos programas eleitorais na TV aberta pude assistir a alguns deles e constatar o que esta campanha do lulopetismo está fazendo com o povo brasileiro. Em meio a essa constatação, pude ler comentário da jornalista Dora Kramer (A menor graça, 24 de agosto, Estadão) cujo título nos remete a um “Antigamente” muito recente. Ela diz que “logo depois de eleito, em outubro de 2002, Lula fez um pronunciamento público em que, entre outros reconhecimentos, dizia-se grato ao então presidente Fernando Henrique Cardoso por sua ‘imparcialidade’ durante o processo eleitoral”. A articulista completa que: “segundo Lula, a conduta de FH e a Justiça Eleitoral ‘contribuíram para que os resultados das eleições representassem a verdadeira vontade do povo brasileiro’”.

No dia seguinte (25 de agosto de 2010), o senador Roberto Freire, em artigo na Folha de S. Paulo, intitulado Não ao “dedazo” de Lula,  afirma que “há dois anos o presidente da República abusa de todos os meios à sua disposição e de todas as pessoas sob sua influência para fazer o seu sucessor. Lula não escolheu nenhum líder petista calejado nas lutas políticas, como os petistas José Dirceu ou Antônio Palocci, que foram expelidos de seu governo por motivos éticos. Muito menos um aliado, como o ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes, cuja legenda lhe foi negada pelo PSB a pedido do próprio presidente da República. Optou por uma auxiliar direta, sem projeto político próprio ou experiência eleitoral, mas capaz de cumprir à risca suas determinações: a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff”.

 Claro que Dilma, como qualquer outro candidato indicado pelo presidente, dispararia no horário eleitoral como decorrência natural do abuso de imagem do mandatário maior do país que tem quase 80% de aprovação popular. Mas trata-se de um acinte à nossa democracia. Por conta do cinismo e da ilegalidade de ações do chefe da nação, o país assiste estarrecido a um permanente e contínuo atropelo das leis. E logo por parte de quem deveria, pelo cargo que exerce, ser o principal defensor e não o maior transgressor das normas de conduta da democracia e da República, atitude que de tão repetitiva poderá roubar o direito de escolha dos brasileiros.

Desnecessário citar todas as implicações encarnadas por esse projeto de poder alavancado pelo aparelhamento de Estado, comandado por uma personalidade com elevadíssimos índices de aprovação, como ora ocorre. Além da partidarização da máquina governamental, do controle e da estatalização dos principais movimentos sociais, o dominante são práticas assistencialistas, práticas cada vez mais capilarizadas de desmandos éticos e ainda práticas clientelistas ao velho estilo político que tanto queremos combater para poder de fato promover a transformação de nosso povo e dos povos de todas as nações.

Está doendo demais conviver com essa velha política de benefícios pessoais ou de grupelhos ladrões do dinheiro público e da dignidade humana.

E que mulher é essa que hoje vemos disputando o poder do maior cargo da República?

Que satisfação daremos às nossas companheiras de 1º hora?, nossas filhas? e netas? Que satisfação daremos às mulheres da comunidade as quais dirigimos nossos trabalhos? O que falar às companheiras que conquistamos visitando o país todo chamando para se juntar a nós como agentes da política? Como explicar-lhes, sem escandalizar, que Dilma – embora uma burocrata competente em sua área, não possui projeto político próprio nem experiência eleitoral – mudou a cara, o cabelo, o guarda-roupa, a personalidade para ser a candidata do presidente da República que a escolheu, no seu (do presidente) projeto de poder pessoal, confundindo-a com um animal dócil e facilmente manipulável? Como pregar a emancipação para a mulher – no seu sentido mais amplo – chegar ao poder?

Eu estava me dizendo constantemente: está certo ela ser treinada para fazer discursos para as massas, ser treinada para participar de debates e programas de TV. É difícil essa prática da oratória. Mas, ouvindo tanta besteira da boca de seu criador, não posso deixar de me incomodar com a aceitação dessa candidata a tanta truculência e desrespeito à dignidade de uma mulher. É um reforço ao patriarcado do qual somos vítimas.

 Não dá para aplaudir, não dá para votar, não dá para nos orgulhar e mais tarde dizer: “Vencemos! Uma mulher no mais alto cargo da República nos representa!”

Nossa fala será nostálgica: “Tanto trabalho por que mesmo?”

Os fins não justificam os meios. Este preço é muito alto, altíssimo!!!

(Tereza Vitale)

Fonte: http://www.psdb.org.br


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