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Mulheres têm valores morais mais fortes que os homens

As mulheres costumam apresentar valores morais mais fortes que os homens / Ana Branco

Estudo mostra que essa característica aumenta nos humanos conforme envelhecemos

RIO – É comum dizer que as mulheres são mais sensíveis que os homens. Mas se não passa diretamente pela sensibilidade, um estudo realizado por um filósofo conclui que elas têm valores morais mais fortes que eles. E as que têm mais de 30 anos apresentam esta característica com mais intensidade.

A pesquisa, que avaliou respostas a perguntas sobre honestidade e competência, mostrou que as mulheres são mais propensas a tomar decisões baseadas no quanto vão impactar a vida dos outros. E também sugere que as características morais, tanto dos homens quanto das mulheres, mudam com a idade: ambos tornam-se menos obedientes mas mais capazes de usar a razão, até que alcançam um “pico de nossas capacidades morais e intelectuais” no início da faixa dos 60 anos, de acordo com o coordenador da pesquisa, o professor Roger Steare.

Ele baseou suas conclusões em um “teste de DNA moral”, que desenvolveu quatro anos atrás para medir mudanças nos sistemas de valores das pessoas. Cerca de 60 voluntários de 200 países já realizaram o quiz abrangendo uma variedade de tipos de trabalho e status social para ajudar a entender o que influencia a moralidade.

Os participantes deram respostas a perguntas sobre suas vidas profissionais e em casa, incluindo impressões sobre se as pessoas a seu redor os consideravam honestos. Eles avaliaram como se enquadrariam em declarações como “eu sou bom em exercitar o autocontrole” e “eu sempre honro a confiança das pessoas em mim”.

Depois, foram rotulados como um dos seis tipos de personalidade a seguir: filósofo, juiz, anjo, professor, realizador e guardião.

– As mulheres preferem tomar suas decisões baseadas em como isso impacta os outros – o que tende a produzir melhores decisões – enquanto os homens têm uma abordagem mais individualizada e interessados em si mesmos – disse o professor Steare ao britânico “Daily Mail”. – O que isso mostra é que quando começam a trabalhar, os homens precisam crescer, colocar o ego de lado e mostrar alguma humildade e compaixão – qualidades que muitas vezes têm em suas vidas pessoais, mas ignoram quando entram no escritório.

O especialista acrescenta que o ser humano também parece manifestar mais valores morais com a idade:

– O que ficou claro a partir das respostas é que a obediência diminui com a idade, enquanto a razão aumenta – uma ocorrência lógica ao fazermos a transição da juventude para a experiência. O ponto de mudança ocorre aos trinta e poucos anos, que é quando amadurecemos como adultos. Este processo continua até o início dos 60 anos, ao alcançarmos o auge de nossas capacidades morais e intelectuais.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/mulheres-tem-valores-morais-mais-fortes-que-os-homens-4662513#ixzz1sJEkxYQ3

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PSDB Mulher de Poços de Caldas

A patrulha e o preconceito não venceram essas três mulheres, que hoje governam seus países

Mulheres que venceram o preconceito e estão no governo: Jóhanna, da Islândia, Julia, da Austrália, e Helle, da Dinamarca

São mulheres poderosas, influentes e vencedoras, e chegaram onde estão apesar do preconceito e da patrulha moralista que sofreram — e que, como sempre se dá, não aconteceria se fossem homens.

São as primeiras-ministras da Islândia, Jóhanna Sigurðardóttir, 69 anos e aparência de bem menos, da Austrália, Julia Gillard, 50 anos, e da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt, 44 anos.

Sobre Helle e Julia já comentei anteriormente, mas vale relembrar.

Carinho e suposto “flerte” com Obama

O nome de Julia percorreu as colunas de fofocas do mundo todo por sua recente recepção calorosa ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Julgaram excessiva sua atenção e carinho para com Obama, quase como se flertasse com o presidente.

A primeira-ministra da riquíssima Austrália é uma bem apanhada ruiva de 50 anos, solteira por convicção, sem filhos pela mesma razão, e, num país conservador nos costumes, desinibida e autoconfiante a ponto de ter chegado ao poder em junho do ano passado sem tomar conhecimento da patrulha moralista contra si pelo fato de, sem casar, morar com o namorado, o empresário do ramo imobiliário Tim Matthieson.

Julia Gillard e o carinho com Obama: fofocas (Foto: The Australian)

Antes de Matthieson, e até onde se sabe, ela já havia tido casos, como deputada e ministra, com dois líderes sindicais e um deputado, como ela.

É advogada, a primeira mulher a governar a Austrália e, curiosamente, nascida no País de Gales, no Reino Unido.

O grave pecado de ser bonita

Já Helle, ainda que vivendo num país liberal como a Dinamarca, sofreu e ainda é alvo de uma discriminação um tanto às avessas pela gravíssima falta de, num partido como o seu, o Social Democrata, dominado por chefões sindicais e políticos veteranos, todos homens, ser tida comobonita e elegante demais para uma legenda que ainda se considera “operária” – daí os apelidos pejorativos de “Gucci Helle” ou de “Gucci Vermelha”.

Formada em Ciências Políticas, bela, alta, loura, olhos de um azul-turquesa luminoso, alguém que não sai de casa sem maquiagem, roupas impecáveis e sapatos de saltos altíssimos, sempre foi uma raridade entre  os social-democratas dinamarqueses, e mesmo assim foi galgando degrau por egrau até chegar ao comando do partido, há cinco anos, e à chefia do governo, em setembro passado.

Helle com o marido, Stephen: ela vive em Copenhague, ele em Genebra

Helle não é nada convencional. Casou-se somente depois de um período de coabitação com o namorado, ademais um estrangeiro – o inglês Stephen Kinnock, filho do ex-líder trabalhista Neil Kinnock, que conheceu em Brüges, na Bélgica, onde ambos faziam mestrado no College of Europe, instituto de altos estudos europeus.

O casal tem duas filhas, mas Stephen, formado em diferentes disciplinas em Cambridge e no College of Europe, vive em Genebra, onde é um dos diretores do Fórum Econômico Mundial, e só passa os fins de semana em Copenhague com a família.

Helle, naturalmente, vive em Copenhague.

A primeira lésbica a governar um país

Jóhanna, da Islândia, foi a que enfrentou mais barreiras, vencendo todas.

Não tem curso superior, foi aeromoça – profissão digna e respeitável, mas nem sempre vista com bons olhos por conseradores – e é lésbica. A primeira mulher homossexual a governar qualquer país.

Para horror dos conservadores, ela era casada, teve dois filhos, hoje com 39 e 36 anos, e desde 2002 vive em união civil estável com a escritora e teatróloga Jónina Leósdottir, com quem se casou, sendo primeira-ministra, no ano passado, depois que o país adotou o casamento também para pessoas do mesmo sexo.

A escritora Jónina, companheira e agora esposa da primeira-ministra da Islândia

Antes de governar o país, o que faz desde o começo de 2009, foi dirigente sindical e reeleita oito vezes para oAlthing, o Parlamento.

Por curiosidade, num momento em que uma maré conservadora e liberal governa a maioria dos países desenvolvidos, as três são de centro-esquerda: Helle, como se viu, é social-democrata, tal como Jóhanna, e Julia lidera o Partido Trabalhista.

Fonte:  Revista Veja – Coluna Ricardo Setti

Mineiras defendem Plano Estadual de Políticas para Mulheres durante conferência

 

Secretária da Casa Civil, Maria Coelli Simões, no evento no / Foto:Osvaldo Afonso / Secom MG

 

Mulheres de vários municípios mineiros estão reunidas em Belo Horizonte, até esta quarta-feira (19), para apresentar propostas que deverão compor o Plano Estadual de Políticas para Mulher. As discussões estão sendo realizadas no Sesc Venda Nova, durante a 3ª Conferência Estadual para Mulher. A abertura do evento, nesta segunda-feira (17), contou com a participação da ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes.

“É um momento para análise e defesa das políticas públicas para o próximo período. Todos os temas do Plano Nacional estão em debate e vamos aguardar os resultados de Minas Gerais para a Conferência Nacional”, destacou a ministra.

A conferência é promovida pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), em parceria com o Conselho Estadual da Mulher (CEM) e com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Representantes de mais de 240 municípios estão presentes para apresentar propostas em âmbito estadual e nacional, visando garantir os direitos e a valorização da mulher.

A secretária de Estado da Casa Civil, Maria Coeli, destacou que “devemos observar as mudanças que ocorrem no perfil das famílias em Minas, porque observa-se o aumento do número de mulheres que chefiam suas casas, mas elas  ainda apresentam um valor menor na renda familiar. Então, é preciso atenção para as realidades, porque isso repercute nas políticas de empregabilidade”, disse.

“Devemos buscar alternativas que promovam a cidadania e a igualdade de direitos e de oportunidades entre homens e mulheres. Esta uma maneira democrática para que juntos possamos construir políticas públicas destinadas à igualdade de gênero, ao fortalecimento da autonomia econômica, social e política das mulheres”, ressaltou o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Wander Borges.

O encontro também vai eleger as delegadas que vão representar Minas Gerais na Conferência Nacional, de 12 a 14 de dezembro, em Brasília.

Fonte:  Agência Minas

Cresce número de países com mulheres no 1º escalão

O número de países com mais de 20% dos cargos ministeriais ocupados por mulheres saltou de 13 para 63 entre 1998 e 2008, aponta o Relatório de Desenvolvimento Mundial 2012: Igualdade de Gênero e Desenvolvimento, do Banco Mundial (Bird). De uma forma geral, a proporção de mulheres ocupando esses postos é de 17% no mundo inteiro, 8% a mais que em 1998, um crescimento considerado lento pela instituição.

O documento, divulgado ontem, destaca maior participação feminina na política, principalmente em quatro regiões do globo: Europa Ocidental, sul da África, América Latina e Caribe. Em 2008, Chile, Finlândia, França, Granada, Noruega, África do Sul, Espanha, Suécia e Suíça tinham mais de 40% de ministérios ocupados por mulheres.

“Embora homens e mulheres sejam igualmente aptos para exercer sua voz política pelo voto, homens são frequentemente percebidos como superiores em exercer poder político”, atesta o relatório. “As pessoas continuam vendo os homens como líderes políticos e econômicos melhores que as mulheres.” Atualmente, o governo Dilma Rousseff conta com 10 ministras, do total de 38 postos (26,3%).

Dos Brics, o Brasil é o país que apresenta menos preconceito quanto a essa questão: 32% dos brasileiros veem os homens como líderes políticos superiores a mulheres – contra 63% da Índia, 62% da Rússia e 51% da África do Sul . No Chile, que já foi presidido por uma mulher – Michelle Bachelet (2006-2010) -, o índice ficou em 49%.

Poucos países têm restrições legais à ocupação de cargos públicos por mulheres, mas, mesmo assim, a presença feminina em postos no Parlamento é “muito pequena”. De acordo com o Banco Mundial, em 1995 as mulheres representavam 10% dos parlamentares, fatia que subiu para 17% em 2009.

O relatório do Banco Mundial discute a situação feminina em outras áreas, como mercado de trabalho, educação, saúde e violência doméstica. No Brasil, assim como em outros países, como Índia e Tailândia, observa-se um aumento na ocupação de empregos de “requisitos intelectuais” por homens e especialmente mulheres.

De acordo com o relatório, os avanços na saúde e na educação das mulheres trazem resultado para os seus filhos em países variados, como Brasil, Nepal e Senegal.

Fonte: Rafael Moraes Moura / BRASÍLIA

Mulheres fazem a diferença nas obras do Mineirão

Michele, Renata, Sirlei e Jaqueline, nas obras do Mineirão (crédito: Sylvio Coutinho/Divulgação)

Cerca de 900 operários que trabalham para erguer o novo Mineirão, mais de 100 são mulheres. Este número é bem representativo do espaço que cada vez mais as mulheres vêm ganhando na construção civil, onde em geral são consideradas como mais atenciosas, cuidadosas e detalhistas.

Para Ricardo Barra, diretor-presidente do consórcio Minas Arena, responsável pelas obras do Mineirão, as mulheres têm papel fundamental em obras desse porte. “Geralmente, elas ocupam funções de supervisão. Além de serem muito respeitadas pelos homens, elas são bem caprichosas. O resultado do trabalho é sempre satisfatório”, conta Ricardo.

O setor de perfuração de tubulões – tipo de fundação, que compreende um poço escavado revestido de concreto armado – é um dos que mais contam com a mão de obra feminina no canteiro de obras. As supervisoras de tubulão fiscalizam o trabalho dos escavadores e armadores. “Checamos se eles estão usando os EPIs (equipamentos de proteção individual) corretamente, se existe algum risco na atividade, enfim, estamos atentas para manter a produtividade com o máximo de segurança”, explica Sabrina Fidélis de Deus, que começou a trabalhar na obra há um mês.

As operárias do Mineirão

Renata dos Santos é apontadora, trabalho que consiste em ‘fiscalizar’ e mensurar o serviço dos operadores no canteiro de obras, produzindo informações para a gerência de Contratos e de Planejamento. “No começo, assustei um pouco, mas fui me adaptando dia após dia. Nunca havia trabalhado no setor de construção civil, então tenho muito a aprender”, comenta.

Com quatro anos de experiência em construção civil, a também apontadora Sirlei já passou por várias funções até chegar onde está. “Já fui servente, armadora e feitora. Hoje fiscalizo serviços de carpintaria, armação e demolição”, afirma. Para as mulheres que querem começar no ramo, ela aconselha: “Primeiramente tem que ter muito respeito para ser respeitada. Tem que saber conversar. Simpatia sempre é bem-vinda”.

Fonte: Secopa MG

Em 70% dos casos, mulheres não denunciam a 1ª agressão

Violência doméstica

Vítimas vivem o problema em silêncio e recorrem à polícia apenas em situações extremas.

O medo e a ilusão de mudança fazem com que 80% delas desistam da queixa.

Ainda assustada, Fernanda*, 36, mostra na Delegacia de Mulheres as marcas das mordidas e socos que levou há três dias. O marido, com quem ela está há 16 anos, chegou em casa de madrugada e, transtornado, começou a agredi-la. Constrangida, ela conta que essa não foi a primeira vez, mas que só agora teve coragem de procurar a polícia. E ela não está sozinha; segundo dados da Justiça, em 70% das denúncias feitas em Belo Horizonte, as vítimas afirmam que aquela não era a primeira vez que apanhavam ou eram ameaçadas.

No caso de Fernanda, os abusos duraram um ano. E esse não é o único dado preocupante. Além de demorarem a buscar ajuda, as mulheres também desistem de levar o processo adiante. O juiz Relbert Chinaidre Verly, da 13ª Vara Criminal, diz que isso acontece em 80% dos casos.

“Elas voltam em alguns dias e querem desistir porque dizem que o marido melhorou”, afirma.

De acordo com a cientista política Marlise Matos, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (Nepem) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as mulheres têm medo e são iludidas por uma esperança de que um dia o relacionamento será diferente.

Ciclo vicioso. A socióloga explica ainda que o intervalo entre a primeira agressão e a iniciativa de procurar pela polícia reflete um ciclo vicioso em que a mulher é envolvida pelo agressor. “Não começa com uma agressão; ela é só o ápice. Depois vem a lua de mel. O homem jura que vai mudar e que foi um deslize. A mulher acredita porque o ama e porque tem dificuldade de assumir que ele não é quem ela imaginava”, diz.

O problema é que, em pouco tempo, as promessas são esquecidas e as agressões se repetem. “Depois de algumas vezes, a mulher se sente frustrada e está tão destruída psicologicamente que não consegue sair dessa situação”, explica.

Em média, são 30 queixas espontâneas por dia na Delegacia Especializada em Crimes contra as Mulheres e outras dez conduzidas pela Polícia Militar.

Depois de prestar a queixa, a mulher e o agressor são chamados no Centro Integrado de Atendimento à Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar. É ai que ela decide se deseja dar andamento ao processo judicial contra o companheiro.

* Os nomes das vítimas foram trocados para preservar suas identidades

FIQUE ATENTA
Empurrão e ciúme obsessivo são sinais de problema
A delegada Maria Alice Faria, da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher de Belo Horizonte, explica que, na maioria dos casos, a violência doméstica ‘segue uma escalada’. “O início pode ser a proibição de usar uma roupa ou um empurrão. Às vezes, a mulher nem percebe que aquilo é uma agressão. Mas ela permite, e o homem vê que pode fazer ainda mais”, explica Maria Alice.

A dona de casa Cleusa*, 31, conviveu por 15 anos com a violência física e psicológica do marido. Há 20 dias, ela acionou a polícia. Com medo, a mulher se abrigou na casa da mãe com os três filhos. “Ele ligou em seguida e disse que ia me matar. Fiquei com muito medo. Desta vez, acreditei que poderia morrer”, conta. Ela e os filhos estão, há duas semanas, em um abrigo para mulheres em situação de risco, na capital.

Cleusa conta que a última agressão não foi a mais grave, mas foi um ‘abrir de olhos’. “Ele brigou com meu filho mais velho e eu intervi. Ele não gostou e me bateu com o cabo de vassoura. Foi a última vez. Senti que estava pronta para dar um basta”, diz.

Mulher de malandro. A delegada afirma ainda que o alto percentual de mulheres que não denunciam os parceiros está longe de confirmar uma visão estereotipada de que ‘mulher de malandro’ gosta de apanhar.

“Mulher não gosta de ser maltratada. O problema é que está tão fragilizada que não vê saída”.(TT)

Eles são lobos em pele de cordeiro
Depois da mulher, agressores passam, com o tempo, a machucar os filhos.

Segurança. A comerciante de 27 anos prestou queixa contra o ex-namorado, que a tem ameaçado com frequência após o fim do relacionamento

Tâmara Teixeira

Nem parece a mesma pessoa. O homem que é adorado por amigos, vizinhos e familiares e conhecido por sua gentileza, simpatia e prontidão para ajudar quem quer que seja é o mesmo monstro que, em casa, ofende, agride e ameaça. Esse é, segundo especialistas e vítimas, o perfil dos agressores de mulheres. “Da porta para a rua, ele é o amigo que todo mundo gosta. Mas, dentro de casa, ele é meu inimigo. As pessoas nem acreditam que o que eu falo seja verdade”, desabafa a faxineira Sônia*, 35, vítima há dois anos do marido.

Segundo a socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) Wânia Pasinato, esse tipo de homem gosta de se esconder atrás do papel de bom moço. Ela explica ainda que essa é uma das poucas características comuns aos agressores.

“De resto, não há um perfil. Ele está acima de qualquer suspeita. É um profissional exemplar, bom vizinho e, para a família, um ótimo marido. O que eles compartilham é a certeza de que é mais forte que a mulher e de que pode praticar todo e qualquer tipo de abuso contra ela”, aponta.

Crueldade. Além de machucar as mulheres, muitos homens partem para a violência contra os filhos. Foi o caso de Sônia, que, na última terça-feira, decidiu procurar a polícia. Ela buscou ajuda dois dias depois que o marido, com quem vive há seis anos, tentou colocar fogo nela e nos dois filhos, de 7 meses e 4 anos. Por sorte, a garrafa de álcool estava vazia.

A auxiliar de serviços gerais Maria*, 31, diz ter vergonha de os vizinhos descobrirem a violência do marido. “A família dele sabe, mas os outros nem sonham. Se ele chegar aqui para conversar, você vai adorar”, conta.

A comerciante Clarice*, 27, prestou queixa pela segunda vez em uma semana. Nos últimos 30 dias, após o fim do namoro de três meses, o ex a procurou três vezes no trabalho, sempre armado. “Para os outros, ele é um santo. Mas comigo é completamente louco. Não vou correr o risco”, garante.

De acordo com a delegada Maria Alice Faria, o consumo de álcool ou drogas potencializa o risco de uma agressão. “Mas a mulher não pode usar isso para desculpar a agressão do companheiro. Isso é um erro grave”, avalia a policial.

“Só em casa ele é agressivo. Mas só acontece porque ele bebe muito. No último fim de semana, eu tirei 18 garrafas de pinga vazias de casa. Isso ele bebeu em pouco tempo. Quando ele não bebe, é um homem bom”, acredita Sônia*.

*Os nomes das vítimas foram trocados para preservar suas identidades.

Onde buscar ajuda
Assistência. Na capital, a Casa Bem-Vinda atende de segunda a sexta, das 8h às 18h (avenida do Contorno, 2.231, Floresta/3277-4379). A delegacia funciona todos os dias (rua Aimorés, 3.005, Barro Preto/3330-1758)Abrigos. Em Minas, Poços de Caldas, na região Sul, Uberlândia e Uberaba, no Triângulo, Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, e Juiz de Fora, na Zona da Mata, oferecem abrigos

às mulheres em risco.

RISCO
Acuadas, elas precisam se esconder

Uma das principais razões para as mulheres continuarem convivendo com maridos violentos, em especial aquelas mais pobres, é a falta de opção. Elas sentem que não têm para onde ir nem a quem recorrer. Mas, em Minas, há a opção de buscar um dos seis abrigos do Estado.

“Essa é a última opção porque implica muitas renúncias. A mulher perde a convivência social, comunitária e familiar”, diz a gerente da Casa Bem-Vinda de Belo Horizonte, Daniele Caldas. O local é responsável pela triagem das vítimas que serão levadas aos abrigos. Ela explica que, antes de decidir prestar uma queixa na delegacia, muitas mulheres costumam procurar apoio psicológico na casa, que ainda oferece assistência jurídica e social.

“Nossa missão não é responder se ela deve ou não denunciar, essa decisão é só dela. Nosso objetivo é fortalecê-la para que ela tenha autoestima suficiente para sair dessa situação”. (TT)

MINI ENTREVISTA COM  
Wânia Pasinato
“Denunciar é um processo muito doloroso”

Por que as mulheres demoram tanto a pedir ajuda?

É um processo muito doloroso e cheio de conflitos para elas. As mulheres têm que procurar ajuda para combater uma violência que parte do companheiro que elas escolheram para construir uma família. É um conjunto de fatores. Tem a dependência financeira e, principalmente, a psicológica, além da preocupação com os filhos. Muitas vezes, elas não têm para onde ir se saírem de casa.

O que costuma ser definitivo para que elas denunciem o parceiro?

A gota d’água quase sempre é o indício de que a violência pode chegar ao nível fatal ou quando a agressão começa a atingir os filhos ou outros membros da família.

De que tipo de apoio elas precisam?

Psicológico. Não basta ir à delegacia. Elas têm que saber dos seus direitos na Lei Maria da Penha. Elas precisam de profissionais que respeitem as suas dificuldades e apoiem as decisões delas, ainda que seja permanecer com o homem.

No geral, elas querem permanecer com o agressor?

Sim, mas sem as agressões e de uma forma harmônica. Ela gosta dele, tem filhos com ele e quer sua família unida.

Elas demoram a identificar que estão sendo agredidas?

Sim. Elas só percebem quando a violência atinge um nível sério. Chama a atenção a violência psicológica. O controle que os homens exercem sobre as esposas de, por exemplo, dizerem que ela é gorda, feia, que não vai conseguir outro homem se não for ele. Isso acontece diariamente e destrói a autoestima delas. (TT)

MINI ENTREVISTA COM  
Sônia
“Ele disse que a próxima a ir para o cemitério sou eu”
Por que a senhora decidiu prestar queixa hoje?

Meu marido tentou me matar no fim de semana. Ele me bateu e tentou jogar álcool em mim e nos meus filhos. Por sorte, não tinha mais nada na garrafa. Mas ele teria me matado queimada.

O que a senhora fez?

Nada. Fiquei quieta porque ele foi para a cozinha e estava mexendo com fogo. Fiquei com medo de ele jogar o óleo quente em mim. Não reagi e dormi quieta. No dia seguinte, juntei minhas roupas e dos meus filhos e fui para a casa da minha mãe.

Essa foi a primeira vez que ele te agrediu?

Não. Tem mais ou menos dois anos que ele começou a ficar violento, com palavras e agressões. Achei que ele podia mudar, que ia passar.

Por que decidiu recorrer à polícia?

Vi que ele pode mesmo me matar e ele começou a ameaçar os meus filhos. Desta vez, ele passou dos limites. E ele disse que a próxima pessoa a ir para o cemitério sou eu.

Por que ele agride a senhora?

Acontece quando ele bebe. O problema é que ele começou a beber todos os dias. Ele sai do trabalho às 17h e chega em casa tonto.

A senhora sabia que ele era violento?

A família dele disse que ele batia muito na ex-mulher dele, mas eu não via como algo assim poderia acontecer comigo e, por isso, não acreditei.

O que a senhora espera conseguir com essa queixa?

Amanhã eu começo a trabalhar e é no período da noite. Quero proteção. Finalmente consegui um emprego. Eu dependia dele financeiramente. (TT)

Fonte: TÂMARA TEIXEIRA /  Jornal OTEMPO em 27/06/201  


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